DALI, S. Gabinete Antropomórfico Forum
Nome: ARS
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Título: Seleção Política
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O período eleitoral vivido pelo Brasil, em 2002, e que é rotineiro nos regimes democráticos serve como mais uma oportunidade de se observar o estágio de amadurecimento da sociedade. além do evidente debate político e ideológico que sempre se estabelece, outro importante fenômeno de fundo evolutivo acontece simultaneamente à votação. De um modo cada vez mais sutil, muitos candidatos apresentam-se como sendo algo que efetivamente não são: cooperadores, honestos e capazes de realizarem aquilo que prometem.
Para evitar que muitos "trapaceiros" se elejam sob a aparência de políticos leais, os eleitores precisam dispor de dispositivos especializados em detectar esses farsantes. Um "detector de trapaceiros", ou algo parecido, é um mecanismo "natural" que vem sendo estudado pela Biologia Evolutiva contemporânea, desde o momento em que se começou a estudar o comportamento de fundo genético. Mesmo antes de Richard Dawkins lançar seu brilhante O Gene Egoísta, em 1976, um importante debate sobre o assunto já vinha sendo desenvolvido por biólogos notáveis como John Maynard Smith, William D. Hamilton, Karl Z. Lorenz, Robert L. Trivers e Edward O. Wilson.
Um dos principais pontos investigados diz respeito ao fato de como o comportamento altruísta - aquele em que o indivíduo abre mão de seu interesse para atender os interesses do outro - poderia emergir, uma vez assumido que os genes são egoístas - cuidam apenas de seus próprios interesses (sobreviver e reproduzir). Em muitas ocasiões naturais, os seres vivos individualmente defrontam-se com a necessidade de que outros façam algo a seu favor, que ele mesmo não pode fazer. Tudo vai bem quando uma espécie encontra indivíduos nela mesma ou em outra que interajam mutuamente, um ajudando o outro. O problema surge no instante em que genes "aproveitadores" passam a proliferar, aumentando o número daqueles que usufruem do serviço dos outros sem retribuir em nada. A tendência é de redução da quantidade dos genes "colaboradores" que chegam à beira da extinção, devido à exploração crescente dos "aproveitadores"./div>
Contudo, um possível aparecimento de um gene mutante "retaliador" no seio da população "colaboradora" seria suficiente para reequilibrar de novo a balança em pró da cooperação. Os "retaliadores" ajudariam sempre aqueles que no passado cooperaram, deixando de lado os "aproveitadores". Assim, com o sucesso de suas escolhas os "retaliadores" proporcionariam o aumento da sua própria população e também a dos "colaboradores", fazendo com que os "aproveitadores" passem por dificuldades. Porém, essa hipótese imaginada, para obter êxito, precisa-se supor que os genes "retaliadores" desenvolvam também instrumentos de marcação (rotulagem), reconhecimento e memória de fatos recentes e remotos. Recursos como esses são raros na natureza. Mesmo os seres humanos, espécie dotada de cérebros grandes, não estão livres da ação dos genes "aproveitadores" e "trapaceiros".
Nesse sentido, a criação de instituições públicas como as exemplificadas nas páginas Controle Público e Voto Consciente é importante para detecção daqueles candidatos a cargos políticos que no passado foram mais cooperadores, um sinal de evolução cognitiva da sociedade brasileira.
Os interessados na discussão sobre a evolução da cooperação podem buscar nas bibliotecas os livros:
AXELROD, R. The Evolution of Cooperation. - Nova York: Basic Books, 1984.
DAWKINS, R. O Gene Egoísta. - Belo Horizonte: Itatiaia, 1979.
LORENZ, K. A Demolição do Homem. - São Paulo: Brasiliense, 1983.
PINKER, St. Como a Mente Funciona. - São Paulo: Companhia da Letras, 1998.
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