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Nome: ARS Endereço eletrônico: ars62@ig.com.br Título: Provas para Quem precisa de Provas Comentários: Desde que Karl Popper o propôs em A Lógica da Pesquisa Científica (1934), uma hipótese científica ou filosófica é dita refutada quando, ao ser confrontada com testes e fatos empíricos, ela se mostre em desacordo com uma experiência que a falsifique. Assim, por exemplo, quando Karl Marx define os conceitos de "mais-valia" e "lucro" no opúsculo Salário, Preço e Lucro (1865), ele diz:
"A taxa da mais-valia depende (...) da relação entre a parte do dia de trabalho necessária para renovar o valor da força de trabalho e o trabalho excedente ou tempo empregado em excesso destinado ao capitalista. Depende, por isso, da proporção em que o dia de trabalho se prolongar para além do tempo, durante o qual o operário, trabalhando, se limitará a reproduzir o valor de sua força de trabalho, ou seja, fornecer o equivalente do seu salário" (MARX, K. Salário, Preço e Lucro, VII, p. 39).
"A mais-valia, isto é, a parte do valor total das mercadorias em que se encontra incorporado o trabalho excedente, o trabalho não pago do operário, constitui aquilo a que chamo lucro (...)" (MARX, K. Op. cit., XI, p. 42).
Ora, supondo que isso fosse verdadeiro, o interesse do capitalista seria pagar salário mínimo ao maior número possível de trabalhadores, numa jornada de trabalho no limite do esforço humano diário, a fim de aumentar ao máximo seu lucro pagando apenas uma pequena parte do que arrecada ao trabalho. Porém, o uso crescente de alta tecnologia na produção, robôs e computadores, vem reduzindo cada vez mais a necessidade de mão-de-obra, sendo esse um dos fatores para o incremento da taxa de desemprego em todas economias avançadas. Era de se esperar que houvesse também uma redução do lucro dos capitalistas, como pressupunha a teoria da mais-valia, mas exatamente o contrário é que ocorre: o lucro aumenta e a duração da jornada de trabalho diminui, contradizendo, portanto, o conceito marxista de lucro. Hoje em dia, a noção geral de lucro que prevalece na economia é a da diferença entre receita e custo, considerando aqui não só os salários pagos, mas a matéria prima, o gasto com equipamentos, impostos deduzidos, a colocação do produto no mercado etc.
Entre 1845 e 1846, Marx e Engels escreveram em A Ideologia Alemã:
"O comunismo não é para nós um estado que deve ser estabelecido, um ideal para o qual a realidade terá de se dirigir. Denominamos comunismo o movimento real que supera o estado de coisas atual. As condições desse movimento resultam de pressupostos atualmente existentes. Além disso, a massa dos simples trabalhadores a força de trabalho excluída em massa do capital ou de qualquer outra satisfação limitada - pressupõe o mercado mundial; e, portanto, pressupõe também a perda, não mais temporária e resultante da concorrência, deste próprio trabalho como uma fonte segura de vida. O proletário só pode, pois existir mundial e historicamente, do mesmo modo que o comunismo, sua ação só pode ter uma existência 'histórico-mundial'(...)" (MARX, K e ENGELS, F. A Ideologia Alemã, p. 52)
"A revolução comunista é dirigida contra o modo anterior de atividade, suprime o trabalho e supera a dominação de todas as classes no superar as próprias classes, porque esta revolução é feita pela classe que não é mais considerada como uma classe na sociedade, não é mais reconhecida como tal, e que já é em si mesma a expressão da dissolução de todas as classes de todas as nacionalidades etc, no interior da sociedade atual (...)" (MARX, K e ENGELS, F. Op.cit., p. 108).
Um século e meio depois, o "mercado mundial" que seria constituído pelo proletariado internacional é sustentado de fato pelos interesses globalizados do capital sem pátria. Em suas respectivas nações, a classe trabalhadora clama pela proteção do mercado interno, contra os efeitos danosos da abertura ao comércio global. Por sua vez, a "revolução" que viria formar a massa consciente de comunistas resultou num socialismo burocrático que se manteve por um curto período histórico em alguns países não industrializados...
Não faz sentido ficar, aqui, refutando exaustivamente todos os erros da teoria marxista, vírgula por vírgula. Seria perda de tempo. De Lênin a Marcuse, mentes astutas tentaram evitar, em vão, o fracasso sistemático a cada vez que a teoria marxista era aplicada nos contextos reais.
A despeito do que pensam os marxistas mais radicais, não há quem discorde do fato do marxismo ser apenas mais uma ideologia entre tantas outras a tentar explicar a realidade, e não "a ciência do real movimento histórico". As pretensões de Marx faziam algum sentido no ambiente positivista e historicista do século XIX, no qual foram geradas. Hoje, não passam de curiosidade histórica. Para mais "provas", queira ler também:
MACINTYRE, A. As Idéias de Marcuse. - São Paulo: Cultrix, 1973. ZIZEK, S. Um Mapa da Ideologia. - Rio de Janeiro: Contraponto, 1996. Réplica:Santa Ignorância do Provador... | |