DALI, S. Gabinete Antropomórfico Forum
Nome: ARS
Endereço eletrônico: ars62@ig.com.br
Título: O Circo dos Horrores no País dos Absurdos
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O grau de civilização de um povo reflete-se na relação entre vivos e mortos. Se alguma dúvida existia sobre o estágio de deterioração e corrupção da sociedade brasileira, o episódio das ossadas descarregadas no aterro sanitário de Duque de Caxias (Rio de Janeiro) expõe com nitidez a mentalidade doentia que já não teme mais o cúmulo dos escândalos neste "país das maravilhas". Essa gente admirável é capaz de organizar festas gigantescas de confraternização, ao mesmo tempo em que trata seus antepassados como se seus restos mortais fossem um monte de lixo a ser descartado depois de usado.
O sacrifício de Antígona, que põe em risco sua própria vida para assegurar sepultura digna ao irmão Polinices, não passa de gesto inútil aos olhos daqueles que tudo fazem pelo prazer efêmero e desprezam a preservação da própria memória. A felicidade do brasileiro está à venda nos botequins, em qualquer esquina ou bordel e dura até a manhã seguinte. As lembranças da alegria barata são logo perdidas pela amnésia alcoólica, sobrando apenas o gosto amargo da realidade cotidiana de uma maioria de tristes deserdados que não têm coragem de enfrentar seus problemas.
Tudo continua como se nada de errado estivesse acontecendo com seus governos corruptos, hospitais transformados em matadouro e "lixões" servindo de vala comum aos esquecidos. Enquanto isso, os foliões cantam e dançam alegremente sem se preocuparem com o futuro que lhe resta, fechando os olhos à realidade e seu vil passado. Pouca diferença há entre as pessoas, as bestas e sucata, no país dos absurdos.
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