DALI, S. Gabinete Antropomórfico Forum
Nome: ARS
Endereço eletrônico: ars62@ig.com.br
Título: A Força da Ignorância
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O resultado da primeira prévia do censo moral, no qual se transformaram as eleições majoritárias de 2006, no Brasil, apontou a conivência de 46.662.365 de eleitores com a organização criminosa que tomou o poder em 2002, apoiando seu candidato-presidente à reeleição. Isso corresponde a cerca de 25,4% da população brasileira, estimada em 184.388.620. Uma quantidade expressiva de pessoas, embora não constitua a maioria dos brasileiros.
No final de outubro deste ano, a votação definitiva deverá confirmar sua escolha ou mudá-la no sentido de evitar seu comprometimento com os crimes políticos cometidos por aquela organização. Mais de 10,2% dos brasileiros é de analfabetos e 1/4 mal compreende o conteúdo básico do ensino fundamental, sendo considerados analfabetos funcionais. No Brasil, a média de anos de estudo não passa de sete anos, insuficiente para conclusão desse primeiro ciclo de formação.
Ao lado dessa indigência intelectual, o quadro agrava-se mais ainda quando se constata quase 10 milhões de famintos, sobrevivendo com menos de US$ 1,00 por dia, ou 42 milhões de miseráveis que conseguem menos de dois dólares diários. Por essas razões, miséria e ignorância favorecem a troca do voto por qualquer ajuda que se receba. Um ambiente propício ao clientelismo e assistencialismo barato por parte de quem detém as chaves dos cofres públicos.
Situação semelhante a qual viveram, historicamente, democracias inconsistentes que permitiram a eleição de Adolf Hitler, na Alemanha, em 1933; Slobodan Milosevich, na ex-Iugoslávia, dos anos 1990 e Saddam Hussein, no Iraque. Países com pouca tradição democrática sofrem invariavelmente com o paradoxo da democracia, quando, pelo voto popular, chegam ao poder governos anti-democráticos. A Argélia sofreu esse embaraço em 1990, um ano após ter promovido uma reforma constitucional, que possibilitou a Frente Islâmica de Salvação (FIS), grupo que defendia o estabelecimento de um estado fundamentalista religioso naquele país, vencer as eleições locais e em seguida as gerais, em 1991, conquistando 188 cadeiras no parlamento e deixando apenas 43 para os outros partidos. A FIS caminhava claramente para a vitória no segundo turno da eleição presidencial, quando o exército resolveu intervir com um golpe de estado que teve o apoio tácito dos países ocidentais (principalmente, França e Estados Unidos). Banida para a clandestinidade, a FIS promoveu uma série de atentados que levou a Argélia à beira da guerra civil, em 1994, com a formação do Exército Islâmico de Salvação (EIS), seu braço armado. Somente depois de 1997, com a política de conciliação do ex-ministro da defesa, Liamine Zéroual - alçado à presidência nas eleições realizadas, em 1995, também acusadas de fraude - que o clima de revolta arrefeceu até o abandono da luta armada pelo EIS, em 2000.
No seu famoso livro "1984", George Orwell descreveu um Estado totalitário cujo alicerce estava em manter na ignorância a população, através do recurso à mentira, falsificação da história e censura à liberdade de expressão. Tudo em nome da manutenção estéril do poder.
"O Partido procura o poder por amor ao poder. Não estamos interessados no bem-estar alheio; só estamos interessados no poder. Nem na riqueza, nem no luxo, nem em longa vida de prazeres: apenas no poder, poder puro. O que significa poder puro já compreenderás, daqui a pouco. Somos diferentes de todas as oligarquias do passado, porque sabemos o que estamos fazendo. Todas as outras, até mesmo as que se assemelhavam conosco, eram covardes e hipócritas. Os nazistas alemães e os comunistas russos muito se aproximaram de nós nos métodos, mas nunca tiveram a coragem de reconhecer os próprios motivos. Fingiam, talvez até acreditassem, ter tomado o poder sem querer, e por tempo limitado, e que bastava dobrar a esquina para entrar num paraíso onde os seres humanos seriam iguais e livres. Nós não somos assim. Sabemos que ninguém jamais toma o poder com a intenção de largá-lo. O poder não é um meio, é um fim em si. Não se estabelece uma ditadura com o fito de salvaguardar uma revolução; faz-se a revolução para estabelecer a ditadura." (ORWELL, G. 1984, parte 3, cap. 20)
Com efeito, o segundo turno das eleições de 2006 mostrará, em breve, quantos se tornaram cúmplices dos crimes cometidos por esta gestão que se encerra e até que ponto "Ignorância é Força", no Brasil atual.
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