violência
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Violência
(...) A violência é um recurso enormemente tentador quando se enfrenta acontecimentos ou condições ultrajantes, em razão de sua proximidade e rapidez. Agir com deliberada rapidez vai contra a essência do ódio e da violência, porém, isso não os torna irracionais. Muito pelo contrário, tanto na vida pública como privada há situações onde a própria rapidez de uma ação violenta seja talvez o único remédio adequado. A questão não é que uma tal ação nos permite dar vazão aos nossos impulsos reprimidos (...). A questão é que em certas circunstâncias a violência (...) é a única maneira de se equilibrar a balança da justiça de maneira certa. (...) Nesse sentido, o ódio e a violência que o acompanham (...) figuram entre as emoções humanas naturais, e livrar o homem dessas emoções corresponderia a nada menos que desumanizá-lo ou mesmo castrá-lo. É inegável que tais ações em que o homem toma, em nome da justiça, a lei em suas próprias mãos, conflitam com as constituições das comunidades civilizadas, porém, o seu caráter antipolítico (...) não significa que sejam desumanos ou meramente um produto das emoções (ARENDT, H. Da Violência, cap. III).
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Imagem: CARAVAGGIO, David, vencedor de Golias; Museu Kunsthistorisches, Viena. |